As mulheres da Aninale são sempre fortes e poderosas. A imagem que a marca passa com seus desfiles e seu casting de peso é a de que quase ninguém pode com elas. Um misto de amazonas urbanas com guerreiras do cotidiano, é bem provável que se Xena gostasse de moda e vivesse entre nós, ela seria Animale.

E não, isto não é uma crîtica do mal – é somente um exemplo pra dizer que a marca sabe muito bem quem são suas mulheres e o que elas esperam de uma roupa. Prova disso foi a platéia absolutamente animada e íntima que gritou, bateu palmas, ovacionou, se comprimentou às pencas… Parecia uma festa em que todos se conheciam.
Bom, as roupas. Procurando contrastar esta imagem forte de sua mulher, a Animale buscou a intimidade, ou, palavras deles, “a beleza que vem de dentro”. Para concretizar isso em pecas, lançaram mão das lingeries e de seus elementos, idéia que resultou num bonito trabalho de formas e volumes conseguidos pelas barbatanas dos corsets. Para quebrar a estrutura reta e enrijecida destes aviamentos, desenhos curvos foram moldados e tanto tecidos pesados quanto mais fluidos modelaram-se organicamente. A própria figura do corset em si foi desnecessária e nem precisava ter entrado na passarela, pois a alusão à peça somente pelo uso de seus elementos foi muito mais bonita. Ao lado das barbatanas, o uso de zíperes nas junções das costuras funcionou muito bem. Jaquetinhas, calças, saias e shorts devem, novamente, fazer a alegria das clientes, que não abrem mão da sensualidade nem da vontade de parecerem descoladas. As cores são de muito bom gosto: nude (lingerie), lilás, variações de roxo, um toque de limão (hehehe, verdade) e um ouro velho esverdeado anunciam um inverno calmo, sensação bastante intencionada nestes tempos de crise.
A coleção como um todo é bem focada em seu público alvo, mas a mulher que deseja dar um toque poderoso no visual pode muito bem coordenar uma jaquetinha ou uma saia da marca com o resto das roupas que possui no armário, afinal, nesta selva urbana (!), guerreiras são sempre muito bem-vindas (se é que estas peças – ou outras da família delas – vão mesmo pras araras).
Beth Ditto em Hervé Léger








